JollyRoger 80´s

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sábado, 18 de julho de 2020

Batman & Joel Schumacher. Uma breve análise sobre Batman Forever e Batman & Robin


Faleceu no dia 22 de junho, aos 80 anos, o diretor Joel Schumacher, vítima de um câncer. Apesar dos seus controversos filmes do Batman, Schumacher tinha obras mais interessantes em seu currículo como "Tempo de matar", "Número 23" (com Jim Carrey num papel dramático), o polêmico e talvez seu melhor trabalho "Um dia de fúria" e o clássico oitentista "Garotos Perdidos". Já o desprezei muito por "Batman & Robin", mas não dá pra negar que ele fazia bons e ótimos filmes.
Revendo Batman Forever (no Brasil, Batman Eternamente), que completou 25 anos, concluo que é um filme meio esquizofrênico. Foi uma tentativa de continuar os filmes do Tim Burton com algumas mudanças estéticas e conceituais. Depois da má recepção de "Batman O Retorno", que era sombrio demais, os produtores optaram por uma direcionamento mais leve e acessível.

Os vilões Duas-Caras e Charada (Tommy Lee Jones e Jim Carrey, respectivamente) são ultra espalhafatosos e hoje em dia me irrita quase todas as cenas em que eles aparecem. Na trilha-sonora, sai o genial Danny Elfman e entra o mediano Elliot Goldenthal, que acaba entregando como nova música tema uma marcha interessante. Mas que nas cenas de luta apresenta um tema circense estridente com metais meio frenéticos estranhos. U2 e Seal se destacam também com suas ótimas canções para a película.

As motivações e a persona homossexual reprimido do Charada seriam interessantes se o filme fosse um pouco mais sério. Seu plano de sugar a "inteligência" dos telespectadores de televisão (eles possuem alguma?) também poderia ter uma pegada mais sci-fi, que seria inédita ao universo do morcego. O filme têm cenas excluídas que o tornariam mais denso e sério. Nicole Kidman está linda, mas a personagem é caricata demais. Ou seja, o 3° episódio do Batman é um filme que "poderia ter sido".

Alguns cenários são muito poluídos visualmente, como a festa do Edward Nygma, o circo onde os pais de Dick Grayson (o futuro Robin, são mortos), o Quartel General do Charada etc. E a sequência final destoa muito do restante do filme. Resumindo, tem seus méritos e importância histórica. E o que ainda chama atenção nesse filme é sua fotografia bonita, posicionamentos interessantes de câmera e visual estiloso.

O personagem do Charada do Jim Carrey claramente sofre de uma obsessão/admiração pelo Bruce Wayne. E apesar de ele ser afetado e afeminado, isso não configura exatamente uma tensão sexual pelo Bruce. É depois da rejeição do patrão surge o ódio e necessidade de superar e destruir seu objeto de adoração. Reitero que se o filme se levasse mais à sério seria uma grande questão para ser trabalhada.





E o que dizer de Batman & Robin?


Este 4° filme têm que ser visto desvinculado inclusive do Batman Forever! É praticamente uma releitura anos noventa da famosa série dos anos 1960. As cenas em que os heróis aparecem geralmente tem um visual horrível, péssimas atuações e efeitos. Val Kilmer saiu de cena e cedeu a capa para George Clooney, que fez o Batman menos sombrio e inspirado de todos.

O filme temos a chegada da Batgirl (Alicia Silverstone) e de novos vilões: Mr. Freeze (Arnold Schwarzenegger), Hera Venenosa (Uma Thurman) e Bane. Todos os três bem diferentes das histórias em quadrinhos, interpretando seus papéis como se estivesse em uma peça de teatro infantil, principalmente Uma Thurman. Mas sem dúvida, estão melhores que Jim Carrey e Tommy Lee Jones.



Se você encarar o filme como a comédia que ele é, tudo fica mais divertido. Prestem atenção na rápida cena em que Batman vê uma fotografia de Hera Venenosa e Bane chegando à Gotham disfarçados!

E o que "se salva?" Uma subtrama interessante sobre a relação familiar entre Alfred e Bruce Wayne. Surpreendentemente essa subtrama (relação familiar entre Bruce e seus pupilos e a iminente morte de Alfred) é levada mais à sério que as questões do Batman Eternamente. Realmente são dois tons convergindo no mesmo filme. A trama dos heróis mascarados Batman e Robin para agradar crianças e a trama de Bruce, Alfred e Dick, para os pais que levaram os filhos no cinema.


Vale ressaltar que o personagem Batman é dinâmico o suficiente para transitar com bastante propriedade pelas mais diferentes versões e cenários. Se pararmos para analisar, o Homem-Morcego em sua história já passou muito mais tempo colorido e sorridente do que como uma criatura sombria.
Por isso, filmes como "Batman Eternamente" e "Batman & Robin", ambos de Joel Schumacher, não devem ser vistos como desrespeitosos ao ícone. Porque ele pode e deve servir às mais diversas interpretações. E isso é ótimo!
Por que ficarmos com apenas uma visão do personagem? Compreendo a revolta causada quando a essência de algo é deturpada, mas talvez já tenha passado da hora de abandonarmos os radicalismos e sermos mais maleáveis, ainda mais se estivermos tratando de um personagem de histórias em quadrinhos.
Devemos nos permitir novas interpretações, visões, diversões. Não sejamos carrancudos e deixemos que Batman possa ser o que ele tiver de ser. Acredite, Adam West, Burt Ward e até mesmo George Clooney merecem suas gargalhadas.
Mas é isso, depois de tantos anos eu entendo que a riqueza do personagem Batman está em sua capacidade de ser apresentado de diferentes formas. Cada versão de Batman é influenciada e influencia o período histórico de sua produção. À sua maneira, Joel contribuiu para a evolução do personagem.

Descanse em paz Joel! Longa vida ao Batman!



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