JollyRoger 80´s para as Massas

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Indústria Cultural e Cinema norte-americano





A invenção dos tipos móveis de imprensa por Gutemberg no século XV é considerada como sendo o início dos meios de comunicação de massa. No entanto, isso não significou a existência imediata de uma Cultura de massa. 

Alguns autores acreditam que a cultura de massa surgiu com os primeiros jornais, outros, vislumbram uma importância do romance de folhetim. Estes produtos se direcionavam para um público amplo, apresentando uma arte fácil e simples (mesma acusação feita às atuais telenovelas.




Na análise dessas questões não se pode esquecer um termo muito importante: Indústria. Ou seja, não se pode falar de Indústria Cultural e obviamente, em cultura de massa em um período anterior à Revolução Industrial do século XVIII. Assim como se mostra deveras necessário acrescentar os fatores de uma economia de mercado (baseada no amplo consumo de bens) e a emergência da sociedade de consumo observada na segunda metade do século XIX.

A Indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem e se desenvolvem com o processo de Industrialização. A exploração da mão-de-obra, o uso do maquinário, a divisão do trabalho são traços marcantes desta sociedade capitalista. Assim como a "coisificaçao" e a alienação.


Se estabelece uma importância exarcebada à coisa, ao bem , ao produto, à propriedade. Tudo se converte em coisa, inclusive o homem. A cultura feita em série, de maneira industrial perde seu valor de instrumento de crítica tornando-se um ordinário produto que deve ser consumido.


Essa cultura se solidifica ferozmente no século XX quando o capitalismo cria definitivamente as condições para essa sociedade de consumo alavancada ainda mais por veículos como a TV e o cinema.


Uma das grandes questões para os especialistas e estudiosos desse processo é o papel dessa indústria cultural. Seus benefícios e malefícios para o homem, sua adequação ou não ao desenvolvimento de suas potencialidades e projetos.



Douglas Kellner em seu livro "A Cultura da Mídia" apresenta a ideia de que as formas da Cultura da mídia são intensamente políticas e ideológicas. É de fundamental importância aprender a lê-la politicamente.


Ou seja, enxergar como o contexto sociopolítico e econômico a influencia e como seus componentes codificam as relações de poder e dominação na propagação de valores. Situá-la no seu contexto histórico e desvendar como suas imagens dominantes, seus discursos, sua estética incorpora posições políticas e ideológicas e quais os efeitos produzidos.

Kellner analisa o cinema americano dos anos 80 e afirma que filmes como Rambo, Rocky, Top Gun (e outros com enfoque em guerras) apresentam a ideologia conservadora do governo Reagan e explicitam o período da Guerra Fria. Para o autor são nos momentos de lazer onde mais facilmente são absorvidas as ideologias.




Devemos perceber que os grandes lançamentos cinematográficos norte-americanos não são simplesmente pura diversão escapista, mas sim produtos ideológicos que mobilizam desejos, privilegiam certos valores em detrimento de outros e tem a função de fazer com que o público identifique-se com o que é apresentado.




Theodor Adorno, um importante teórico da Escola de Frankfurt leva a crítica à Industria cultural ao ponto máximo. Em seu "A Indústria Cultural: O esclarecimento como mitificação das massas" apresenta um pessimista e bem elaborado estudo sobre a cultura contemporânea e sua capacidade de conferir a tudo um ar de semelhança. 


Adorno acredita que o cinema, os rádios, as revistas constituam um único sistema e o grande adversário do indivíduo é o poder absoluto do Capital.



Em uma de suas inúmeras afirmações polêmicas declarou que o rádio e o cinema não precisavam mais se apresentar como arte, pois sendo um negócio, eles a utilizam como ideologia para legitimação da produção do lixo. 


Para o autor não havia saída para o exercício da subjetividade, pois não haveria capacidade intelectual que pudesse vencer a lógica massificadora. Suas pessimistas teorias não são imunes à críticas, mas é curioso e assustador como se apresentam tão atuais.

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2 comentários:

  1. Na verdade, tenho pra mim que o próprio Gutemberg foi uma espécie de precursor da indústria. Afinal, a sua prensa foi o primeiro instrumento criado pela sociedade ocidental com a capacidade de reproduzir em grandes quantidades um mesmo produto. Talvez, ironicamente, o livro tenha sido o primeiro produto a ser fabricado em escala industrial (que o atestem algumas tiragens com mais de dez mil exemplares produzidas no século XVI). Algum dia vou fazer um artigo provocativo sobre esse tema; ou poderíamos fazer em dupla, o que acha? Abração!

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  2. Realmente interessante a ideia do livro ter sido o primeiro "produto" a ser fabricado em ritmo industrial. E mais interessante ainda é perceber que mesmo que o hábito da leitura talvez esteja "reduzido" em muitos países ou que seja realizado através de outras mídias, um livro ainda pode causar muito barulho e gerar muito dinheiro.

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