JollyRoger 80´s para as Massas

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sábado, 14 de julho de 2012

Dredd e o espetáculo estético da violência



O Cinema (especialmente o norte-americano) está se especializando cada vez mais em tornar a violência um espetáculo estético. Socos, tiros e pontapés tornam-se um balé da barbárie e alimentam psicologicamente os desejos naturais de combate do indivíduo domesticado.

Vale ressaltar que, enquanto faces são deformadas em slow-motion, os tão naturais seios e bundas tornam-se cada vez mais escassos no cinema "sério". Quando os impulsos sexuais são anulados toda a energia do homem é direcionada para a guerra. Nada contra um filme onde a violência está contextualizada até porque existem ótimos filmes de ação e de artes marciais.




Mas a naturalização da violência e a censura de outras atividades é algo curioso de ser observado. Em tempo, o filme Dredd é fantástico. 






O trailer é bem interessante. O filme anterior "Judge Dredd" (1997) com o Sylvester Stallone foi um verdadeiro desperdício apesar do ótimo vilão vivido por Armand Assante.




(continua)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Watchmen de Alan Moore, Dave Gibbons e Zack Snyder


Alan Moore é um autor britânico ousado, criativo e naturalmente polêmico. Escreveu grandes obras e pelo menos três das mais importantes HQs de todos os tempos: Watchmen, V de Vingança e A Piada Mortal. 





Esta última é justamente sua grande contribuição para Batman pois a  graphic novel (termo este detestado por vários artistas dos comics) ''A Piada Mortal'' conta a origem  do Coringa. (pelo menos uma das possíveis origens). E foi Magistralmente desenhada por Brian Bolland.




Watchmen foi ilustrada por David Gibbons. E teve sua versão cinematográfica dirigida por Zack Snyder.


Como qualquer adaptação de quadrinhos para o cinema ocorreram algumas mudanças que desagradaram fãs mais fervorosos. Porém, em toda adaptação existem mudanças. Situações colocadas em hqs e livros, por exemplo, às vezes não ficam tão interessantes em outras mídias. No geral, creio que o saldo de Watchmen foi positivo. E nada precisa ser sacralizado. E histórias em quadrinhos se encaixam nisso.

Na imagem abaixo temos ( da esquerda para direita) o Comediante, Ozymandias, Night Owl, Silk Spectre e Rorschach. Que junto com o Dr. Manhatam formam os personagens principais da apocalíptica trama que aborda uma série de questões como política, ética, sexo, crise moral e social. 

Os pontos de vista diferentes e radicais entram em conflito e questionamentos incômodos são levantados a todo momento. Espera-se que o leitor e no caso do filme, o telespectador sejam levados a pensar. 




Para deleite (de poucos) postarei algumas das melhores divagações do personagem Rorschach e de outros personagens interessantes de Watchmen.


"Por que tão poucos de nós continuam na ativa, com saúde e equilibrados?''

"Diário de Rorschach. Sexta-feira à noite um comediante morreu em Nova Iorque. Alguém sabe por quê. Lá embaixo... alguém sabe. O ar fede a corrupção e degradação moral. Terei que me exercitar um pouco."


"Sexta-feira à noite, um comediante morreu em Nova Iorque"

"Diário de Rorschach. 12 de outubro de 1985. Tiveram uma escolha. Todos eles. Poderiam ter seguido os passos de homens bons (...) Homens decentes que acreditavam em trabalho honesto (...) Agora, o mundo inteiro esta à beira do precipício olhando pra baixo, pro inferno sangrento. Todos aqueles intelectuais e gente de fala mansa. De repente, ninguém mais tem nada a dizer."



Diário de Rorschach. 12 de outubro de 1985. Carcaça de cachorro atropelada encontrada no beco hoje de manhã. Esta cidade tem medo de mim porque conheço sua verdadeira face. As ruas são extensões das sarjetas cheias de sangue. Quando os canos dos esgotos se encherem de sangue todos os vermes morrerão afogados. A sujeira acumulada de sexo e crime envolverá prostitutas e políticos, que voltarão os olhos para cima, implorando ''salve-nos!'' E  eu, do alto, responderei "Não".




"Diário de Rorschach. 13 de outubro de 1985. A senhoria está se queixando do cheiro. Ela tem cinco crianças de cinco pais diferentes. Com certeza engana a previdência. Abaixo de mim esta cidade horrível grita como um matadouro cheio de crianças retardadas. Nova Iorque."

Dr. Manhattan era indestrutível e tinha o poder de ver o futuro. Mas ver futuro não significa entendê-lo. Sua onipotência, arrogância e inteligência matemática o impediam de compreender o presente e perceber os acontecimentos que ocorriam debaixo de seu nariz. 


"Eu estava perguntando se vale a pena toda essa luta, esse esforço sem fim que só deixa as pessoas vazias e desiludidas...quebradas. A existência da vida é um fenômeno ao qual dão demasiada importância.'' 

 "Marte leva sua existência com perfeição, sem um microorganismo sequer. Nem uma única vida. Contudo, degraus de quase trinta metros de altura formam gigantescas ondulações...um mapa tipográfico que o vento e a poeira se encarregam de modificar constantemente. Diga-me...uma torre de petróleo significaria um grande melhoramento? (...) ou um shopping center?'' 
_ Dr. Manhattan



"O que o combate ao crime significa exatamente? Significa fazer cumprir a lei quando uma mulher rouba para dar de comer aos filhos, ou significa lutar para descobrir aqueles que, legalmente, causaram a pobreza?'' Adrian Veidt (Ozzymandias)




"Somos a única proteção para a sociedade. Proteção contra eles mesmos"  _ Eddie Blake, O Comediante


Nessa cena, O Comediante põe fim à uma manifestação popular. Muito bem filmada e editada com I´m your Boogieman de KC & the Sunshine Band na trilha-sonora. Inteiramente fascista o Comediante desfere os 3 primeiros golpes contra uma mulher, um homem negro e um branco. Uma interessante metáfora que representa o desprezo do personagem para com tudo e todos.




Dr. Manhattan e Comediante na Guerra do Vietnã. Na trama, os Estados Unidos venceram o conflito. E Ronald Reagan não foi Presidente nos anos 1980.






 "Quando você descobre que tudo isso é uma grande piada, ser o comediante é a única coisa sensata.''


Você pode tentar encontrar Watchmen nos melhores sebos em 12 ou 6 edições em suas publicações originais. Ou nas versões "definitivas" lançadas ultimamente. Boa leitura! 

                             Who Watch the Watchmen?
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Tim Burton, Johnny Depp e Edward Mãos de Tesoura



Edward Scissorhands (Edward Mãos-de-Tesoura, 1990) foi o primeiro filme da longa parceria entre Tim Burton e Johnny Depp. Foi um projeto pessoal concebido entre as duas superproduções Batman (1989) e Batman O Retorno (Batman Returns, 1992). Foi escrito, produzido e dirigido por Tim Burton em uma época de frescor criativo quando ele não se limitava a fazer apenas refilmagens personalizadas de outros filmes (e séries) clássicos.

Geralmente os filmes de Tim Burton contam histórias de outsiders. Personagens à margem da sociedade ''normal'', excêntricos, anti-sociais e incompreendidos. Podemos entender as ''mãos'' de tesoura do personagem como uma grande metáfora para retratar um ser completamente inadaptado ao convívio social ou como uma forma lúdica e fantasiosa de contar o drama de uma aberração, de uma pessoa deformada.


Em um primeiro momento todos ficam espantados e curiosos com a presença de uma estranha figura como Edward. Logo ele se sobressai cortando cabelos das mulheres de maneira estilosa e fazendo esculturas nos jardins das casas padronizadas do subúrbio multicolorido.



Mas em pouco tempo ele é transformado em persona non grata e perseguido violentamente pelos moradores da vizinhança.


Edward Mãos-de-Tesoura foi o último filme do ícone do terror Vincent Price. Este veio a falecer pouco tempo depois. Ironicamente, sua última cena foi a morte de seu personagem, o cientista que criou Edward e o deixou inacabado.


Vincent Price trabalhou em dezenas de filmes de terror desde os anos 40. Era um dos maiores nomes do gênero junto com Christopher Lee e Peter Cushing. No seriado televisivo do Batman (anos 60) ele interpretou o vilão Cabeça de Ovo. Na música Thrilller de Michael Jackson é dele a narração aterradora e a estridente gargalhada final.

Danny Elfman, ex-líder do Oingo Boingo (uma das melhores e mais criativas bandas norte-americanas) compôs as trilhas-sonoras de quase todos os filmes de Tim Burton. A de Edward Mãos-de-Tesoura é uma das mais emotivas e está entre seus melhores trabalhos junto do diretor. 



No entanto, a tal sociedade ''normal'' retratada nos filmes de Burton é geralmente esquisita, idiota, caricata e alienada. Povoada por personagens hipócritas de valores deturpados. Exageradamente coloridos e essencialmente mais monstruosos do que os injustiçados protagonistas dos filmes.



A sociedade assustadoramente comum ironizada e atacada pelo diretor está presente em praticamente todos os seus filmes, mas seu deboche encontra-se mais explícito nos filmes Edward Mãos de Tesoura, Marte Ataca!, e em suas versões de "Planeta dos Macacos" e "A Fantástica Fábrica de Chocolate".


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