Prestem atenção na capa do disco ''Carnaval dos Baixinhos" da apresentadora Rainha dos baixinhos (e altinhos) Xuxa. Vemos um disco destinado ao público infantil onde um bebê é fotografado de costas usando um fio dental. Talvez se esse disco fosse lançado hoje o Ministério Público fosse acionado. Talvez! E por se tratar de um bebê. A sociedade mudou e algumas muitas pessoas não percebem ou tem dificuldade de assimilar.
Existem uma série de contextos sócio culturais e econômicos que devem ser levados em consideração ao tratar dessa questões, no entanto, defendo a punição para todos os tipos de casos de abuso. E torno públicas as palavras de uma colega: "Não podemos esquecer disso. Abuso sexual, psicológico, estupro. Isso que falamos. E isso nada tem a ver com idade, eu com 28 anos posso sofrer isso. Por isso, temos que punir severamente casos de pedofilia e de estupro, porque os que as une é o fato da pessoa não ter direito a escolher ter a relação."
Assino embaixo. E isso nem se questiona. O que questiono é a hipocrisia relacionado ao aspecto de incentivo geral à sexualização e a paradoxal vigilância moral em relação a isso. Vivemos na era da informação rápida. As pessoas têm ''amadurecido'' mais cedo e aliado ao fator natural, o sexo irrompe mais precocemente. E na indústria cultural brasileira crianças e adolescentes são frequentemente retratadas de maneira sensual.
E mulheres adultas são infantilizadas em ensaios de nudez.
O imaginário do "consumidor" de mulheres tanto do sexo masculino como feminino é alimentado. Ou seja, desejos internos de homens e
mulheres são intencionalmente provocados e incentivados. Por outro lado,
são também moralmente combatidos. É uma surreal gincana, mas que nunca
justifica uma agressão sexual, por exemplo. Vale ressaltar que em sociedades como a brasileira, a eterna juventude e beleza são padrões comportamentais idealizados.
O funk como movimento social e cultural é legitimado e enaltecido por acadêmicos das áreas de humanas, lideranças políticas e artistas geralmente adeptos de ideologias progressistas (a Esquerda) e sociedade como um todo, mas nos bailes as chamadas "novinhas" são carne fresca para o abate. Desde os anos 1980 e principalmente nos anos de 1990, os ídolos
televisivos e modelos de sucesso são homens e mulheres cujo trabalho é
pautado apenas por altas doses de sensualidade, vulgarização sexual e
imbecilização.
Ícones da bundalização são tratados como pensadoras
contemporâneas ou se tornam conselheiros de Ministros da Educação. São
fortes símbolos culturais do país, infelizmente. O que se observa é
que o tipo de música, dança e atitude que geralmente eram apresentadas
em casas noturnas hoje é entretenimento apresentado em horário nobre na
televisão, pelas divas pop ou rappers. Nesse caso em escala planetária.
Em um vídeo dos anos 1990, que pode ser encontrado em uma busca no YOUTUBE, Sílvio Santos, o apresentador mais famoso do Brasil promove uma verdadeira aula de sexualização infantil. Crianças ainda ingênuas são expostas em rede nacional por um bando de cretinos irresponsáveis. Estilos
musicais atualmente meio fora de moda como o axé baiano sempre
apresentaram a sexualidade das músicas e coreografias como principal
atrativo. Não se pretende ser moralista e não está sendo discutido a
mediocridade artística dessas manifestações culturais, mas uma rápida
busca no YOUTUBE podemos encontrar crianças dançando na boquinha da
garrafa em programas dominicais. Deplorável.

Assistimos violência e sexo todos os dias nos programas de emissoras de TV. Então, em certo sentido, a hiper sexualização acaba por ser incentivada, organizada comercialmente e propagada ideologicamente. Esperamos que mudanças sociais, políticas e culturais ocorram e que as
crianças e adolescentes, muitas em situação de abandono nas periferias e
favelas, possam viver como modelos saudáveis de comportamento. Que a
sociedade pare de se divertir com a sexualização hiper precoce de seus
jovens cidadãos. E que traficantes deixem de se tornar a influência
poderosa que são.
Continua...