JollyRoger 80´s para as Massas

JollyRoger 80´s para as Massas

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O Inspetor e a Faxineira




Um inspetor e uma faxineira de uma escola municipal do Rio de Janeiro foram afastados de seus cargos após um vídeo deles fazendo sexo ter sido divulgado na internet. A notícia foi divulgada no começo do mês de setembro e de acordo com jornais, a Secretaria Municipal de Educação abriu uma sindicância para investigar o caso. Tanto a secretaria da escola como a Comlurb ressaltaram que o comportamento de ambos profissionais foi inadequado. Portanto vão sofrer as consequências de seus atos libidinosos. 

Acho que também devam ser feitas sérias investigações para que a pessoa doente que divulgou o vídeo na internet também responda por seus atos. Pois já que não vê problema em expor os outros na rede também não deveria se importar do público tomar conhecimento de suas falhas de caráter. 

Ao que parece, o sexo aconteceu fora do horário escolar. Não vou entrar na questão de que se escola é lugar ou não para se ter relações sexuais. Teoricamente Igrejas também não são, mas existem pelo menos mil vítimas só na cidade de Boston nos Estados Unidos que podem dizer o contrário. 

Basta procurar no you tube para constatar a quantidade de vídeos com festas realizadas nas escolas brasileiras sendo animadas com alunas excitando a platéia com as danças eróticas do funk cultural. Então será contraditório que certas autoridades educacionais julguem o inspetor e a faxineira se permitem que seus alunos se comportem como se estivessem em um puteiro. 

Como era de se esperar o inspetor e a faxineira devem estar sofrendo o habitual apedrejamento virtual. Sendo despedidos poderão ter dificuldades em encontrar novos empregos. Vão ser taxados de imorais, pervertidos e de não respeitarem nossas inocentes crianças. O que nos leva subitamente a pensar: E se as pessoas envolvidas fossem ''artistas'', ''celebridades''? Qual seria o teor da discussão? De que maneira esse vídeo estaria repercutindo nas mídias e sobre suas vidas? Qual seria o direcionamento dessa polêmica? 

Já ocorreu antes e acontece sempre. Pois estariam agora dando entrevistas. Independente de sua ocupação no circo do horror business eles teriam seus cachês ainda mais valorizados e quem sabe já estariam estudando propostas para programas na televisão. 

Anos atrás uma milionária desocupada ganhou fama planetária e respeito quando seus vídeos caseiros contendo estripulias sexuais ''vazaram''. Meses atrás, no Brasil, república das bananas enfiadas nas bundas, uma assessora parlamentar de algum deputado, senador ou coisa parecida também teve vídeos de suas performances sexuais divulgados. 

Depois disso já posou nua, virou modelo, ídolo, participa de reality show. Hoje engrossa as fileiras da tão almejada e valorizada carreira de Puta Midiática. Ou seja, não sofreu nem metade das consequências profissionais e pessoais que os pobres e não-midiáticos inspetor e faxineira. Por que o tratamento diferenciado? Eu tenho algumas respostas. E vocês? 

Essas questões são apenas a ponta do iceberg das contradições da Jovem Pátria Mãe Gentil de uma sociedade paradoxal, hipocritamente conservadora, culturalmente confusa e em processo de construção de valores e ideais morais e políticos. 

* Justamente por não concordar com a exposição das pessoas envolvidas optei por não colocar links de vídeos e não mencionar o nome da Escola. Filmar e denunciar deputado colocando dinheiro na cueca é jornalismo investigativo. Gravar a intimidade de desconhecidos e jogar na rede é invasão de privacidade e uma atitude criminosa.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Feliz ano do Fascista dos Direitos Humanos


Jornais e sites divulgaram hoje (mas talvez não com toda amplitude que deveria) a mais nova estripulia do pastor evangélico e deputado federal (teoricamente eleito democraticamente) Marco Feliciano. Durante um culto em um evento gospel realizado no litoral norte de São Paulo ele deu voz de prisão para duas mulheres que se beijaram durante seu culto religioso.

O nível de fanatismo e abuso de poder chegou ao ponto de deputados pastores, servidores da população, darem ordens de prisão para as pessoas que não compartilham de suas "verdades religiosas". Hoje a voz de prisão é para meninas se beijando. Amanhã será para qualquer pessoa que não compartilhar das mesmas ideias fechadas, simplistas, moralmente questionáveis e preconceituosas.

A notícia foi divulgada em veículos como G1 e no site Pragmatismo Político. De acordo com os mesmos ao presenciar o beijo entre as meninas o pastor teria dado ordem para que policiais militares prendessem as garotas. 

O representante dos Direitos Humanos da Câmara disse: "A Polícia Militar que aqui está, dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas". O resultado foi a expulsão das garotas de 18 e 20 anos por seis guardas civis municipais. As garotas acusam os policiais de terem abusado do uso da força.

Pelo que se percebe mais uma vez é o prazer e naturalidade com que o deputado pastor abusa do seu poder. Com um microfone na boca e sendo adulado por seus milhares de seguidores ele incita a violência, promove a discórdia e desagregação de uma sociedade, suga economias de deficientes físicos e pede senhas de cartão de crédito.

Há poucos meses atrás, Marco Feliciano era "apenas" mais um de uma extensa lista de pastores evangélicos de moral, conduta e capacidade intelectual controversas, mas que por meio de suas declarações preconceituosas, visões de mundo limitadas e visual extravagante acabou por ganhar fama e milhares de seguidores de moral, conduta e capacidades intelectuais igualmente controversas.

Com o apoio de políticos corruptos e odiados como o governador do estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral ele acabou por chegar ao cargo de deputado federal em Brasília. Por meio de uma série de manobras e esquemas de troca de cargos, posicionamentos estratégicos de partidos políticos ele acabou por garantir seu lugar como Presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara. 

O que gerou e tem gerado uma série de conflitos entre entidades de defesa dos direitos LGBT, como de grupos negros, humoristas e todo o restante do Brasil pensante. Seria ótimo se todos pudéssemos simplesmente viver nossas vidas, respeitando as diferenças étnicas, culturais, religiosas e o espaço de cada pessoa ou grupo. E isso incluiria deixar de lado e não dar importância para o que seres como Marco Feliciano vomita em seus cultos e vídeos do You Tube.

A grande questão é que enquanto vivemos em sociedade estamos todos interligados de muitas formas e nossas atitudes, por mas ínfimas que possam parecer, acabam por afetar a vida de outros. Uma outra problemática é a falência da educação como objetivo e direito de um povo.

A derrocada desta está relacionada à corrupção política, ao crescimento do fanatismo religioso, da intolerância, da busca da riqueza, do consumo pelo consumo e da impossibilidade de se tentar compreender diferentes teorias e visões de mundo.

Esse cenário um tanto desolador é favorável para que figuras como o pastor Diva Feliciano brilhe. Assim como outros da mesma estirpe como Edir Macedo, Waldemiro Santiago, R.R Soares e tantos outros.


Talvez as garotas tenham se beijado como forma de protesto contra Feliciano, mas isso lhe dá o direito de expulsá-las de um local público? Elas deveriam ser presas e agredidas por policiais por causa de um beijo? Beijos são proibidos dentro de Igrejas evangélicas? O evento "Glorifica Litoral" não acontecia dentro de um de seus templos. 


Esse episódio me lembrou de uma das melhores partes do filme "Pink Floyd The Wall". Justamente a sequência em que o protagonista Pink (Bob Geldof) surge como um líder das massas (fazendo clara alusão ao nazismo). E começa a ordenar que os gays e outras minorias presentes sejam expulsas e agredidas.


Em seguida suas tropas politicamente corretas (os Hammers) correm pela cidade quebrando lojas e atacando pessoas. Não é novidade que ditadores radicais como Adolf Hitler ainda é uma inspiração para políticos e demais líderes modernos. E pelas atitudes e opiniões de muitos políticos brasileiros percebemos como as ideias totalitárias ainda se fazem presentes.



Em uma época de trevas como a atual onde a corrupção e o abuso ocorrem à nível planetário, as atitudes absurdas de pastores ladrões e estupradores soam como normais e rotineiras para seus milhares de seguidores. Por tudo isso, as pessoas de bom senso não devem se calar perante esses atos de violência, abuso de poder e covardia. 


Porque sim, essas pessoas que pregam o ódio e incentivam a desagregação das pessoas têm medo, muito medo. Por terem medo, por serem covardes, acabam por vestir máscaras e tentam obter cada vez mais poder. No final, eles se apresentam como únicos porta-vozes de uma única verdade. Falsos profetas e falsas pessoas. Pretensos salvadores do caos criado por eles mesmos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Chico Bento Jovem


Uma ilustração engraçada e talvez mais realista para as versões jovens da Turma da Mônica. No caso, nosso Chico Bento. 



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

MATRIX - sorteio do Box com a trilogia

Olá pessoal! Estamos realizando o sorteio do box com a trilogia MATRIX na Cultura POP Culture. Curta a página no facebook e participe!



Imagem do Box



Link: https://www.facebook.com/culturapopculture

Cultura POP Culture


Olá leitor! Gostaria de convidá-lo para conhecer e curtir a página Cultura POP Culture no facebook. Sou o dono e obviamente um dos administradores / criadores de conteúdo. Nesse espaço temos como meta a divulgação de imagens, vídeos e informações sobre o vasto universo da cultura pop. Cinema, música, comics, literatura e humor inteligente. Em suma, obras de arte autênticas e relevantes de acordo com nossa concepção. O estudo das Imagens oferece inúmeras possibilidades! Participe!

Link: https://www.facebook.com/culturapopculture



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 de Setembro - 12 anos ou "Era uma vez duas torres gêmeas.."


Parabéns! Parabéns! Agora é a vez da Síria. Mais uma guerra infeliz! Em se tratando de política internacional é realmente difícil competir com os Estados Unidos.

Nós, meros brasileiros começávamos a acreditar que éramos os maiores detentores do título de "Maior incoerência política do mundo", por ter um político corrupto preso, mas ainda detentor de seu mandato de deputado federal. 

No entanto, nossa alegria (e a dos sírios) pode acabar a qualquer momento se o presidente Barack Obama se tornar o primeiro Nobel da Paz a iniciar uma guerra. 




* Para leitores estrangeiros ou desavisados. No ano de 2013, um fato inédito surpreendeu o Brasil quando um dos nossos deputados federais foi preso. O indivíduo chama-se Natan Donadon e se encontra encarcerado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos de prisão por formação de quadrilha e peculato.

No entanto, a Câmara dos deputados em voto secreto foi contra a cassação de seu mandato. Muitos deputados faltaram e não justificaram e outros estavam na capital federal e faltaram à votação. Temos assim o primeiro homem público que exerce seu mandato de dentro de uma prisão.




terça-feira, 10 de setembro de 2013

Educação Brasileira por Angeli



Carta aberta de um Professor para a Secretária de Educação Cláudia Costin



Republico nesse espaço a segunda carta aberta do professor Doutor Luiz Fabiano de Freitas Tavares. Meu amigo, dedicado educador e historiador que no presente momento têm lutado com tantos outros professores pelo estabelecimento de uma educação decente na cidade do Rio de Janeiro.



Cara Sr.ª Secretária, pretendo aqui desenvolver um tema já esboçado em minha carta anterior e que, creio, seja um aspecto crucial para o desenvolvimento democrático da educação carioca.
Como já adiantei, um de nossos principais anseios é a autonomia político-pedagógica em nossas escolas e, principalmente, a efetiva participação no processo de construção das políticas públicas de educação em nosso município. Infelizmente, nossa realidade atual se encontra muito distante desses legítimos desejos.

No entanto, por que isso ocorre? Que obstáculos afastam os professores desse processo tão importante? Arrisco algumas hipóteses. Comecemos pela esfera dos discursos. Nesses cinco anos em que tenho lecionado no Rio tive oportunidade de entrar em contato com funcionários dos mais variados níveis administrativos da SME, desde a 5ªCRE ao nível central.

Através desses contatos, pude perceber alguns padrões de pensamento reproduzidos de modo mais ou menos consciente. Como já explicitei na carta anterior, existe certa lógica de desqualificação do professor que está em sala de aula, visto como um profissional pouco capacitado, insuficientemente dedicado e, principalmente, necessitado de orientação superior em suas escolhas.

Obviamente não podemos fazer generalizações. Trata-se de uma matriz discursiva elementar, declinada de diversas maneiras de acordo com aqueles que a reproduzem. Alguns se mostram condescendentes: o professor é um "coitadinho", bem intencionado, mas desorientado - uma abordagem um tanto paternalista.

Outros têm uma visão ainda mais deprimente, afirmando explicitamente que a maioria dos docentes é descompromissada ou indolente. Há um verdadeiro gradiente de opiniões, desde as mais indulgentes às menos respeitosas, assumindo diversos matizes.

Curiosamente, os profissionais que emitem esse gênero de opinião são geralmente professores que gradativamente se afastaram das escolas, assumindo cargos administrativos na CRE ou no nível central. Dos que conheci, raríssimos escapam dessa perniciosa concepção. Por sinal, muitos empregam correntemente curioso jargão, através do qual nos designam como "o professor que está no campo" ou "o professor no campo". Essa terminologia não me parece nada inocente, traindo concepções muitas vezes inconscientes através das quais se consolida uma visão dual do magistério público carioca. Esses profissionais não se percebem como pertencentes à mesma categoria que nós, sedimentando uma mentalidade que nos vê como castas distintas.

Esse é, em grande medida, o resultado de continuado afastamento da realidade escolar, por parte de funcionários que durante anos se dedicam a carreiras administrativas. Quinze minutos de conversa com alguns deles são suficientes para revelar ideias completamente distantes do que é o cotidiano de uma escola municipal de verdade, indo desde a utopia à distopia, passando pelo mais delirante surrealismo.

Numa evidente distorção do bom senso, a opinião daqueles envolvidos diretamente com a atividade-fim da SME conta menos que a daqueles que, à distância, executam atividades-meio...

Essa mentalidade difusa se faz perceber na prática, na esfera comunicacional ou na esfera representativa. Os fluxos de comunicação na SME denotam claramente essa concepção da rede, uma vez que praticamente todas as decisões partem do nível central ou da CRE e são simplesmente transmitidas como fatos consumados, sem margem para discussões, negociações ou alterações.

Aos "professores no campo" cabe simplesmente acatar. As ordens e imposições chegam às escolas e respostas e ações imediatas são cobradas; em compensação, quando procuramos travar contato com os órgãos "superiores" os canais são tortuosos e obscuros e, pior ainda, não há qualquer compromisso em responder adequadamente a nossas solicitações. Ficamos à mercê da "boa vontade" do setor administrativo...

Por outro lado, os mecanismos de representação e participação dos professores nas principais deliberações de nossa rede são escassos, pouco ativos, ineficientes, e frequentemente aleatórios. As instâncias representativas são esvaziadas e desconectadas da realidade escolar, tendo mais função legitimadora que fundamento legítimo. Existem de jure, mas não de facto. Em suma, nossos anseios e valores se vêm fracamente representados na prática administrativa municipal.

Tal estado de coisas fere gravemente a gestão democrática da coisa pública. O futuro de nossa juventude é responsabilidade grande demais para não ser partilhada equanimemente entre todos nós.

Repito: queremos voz na administração da SME!

Cordialmente,
Prof. Luiz F. F. Tavares



Publicado originalmente no Blog Oficina de Clio:
http://oficinadeclio.blogspot.com.br/2013/08/2-carta-aberta-sr-claudia-costin.html

Geografia brasileira


Por Angeli

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A história de um menino brasileiro chamado Jackson. Um texto de Renata Neder

Era uma vez um menino que se chamava Jackson. Por Renata Neder

"Uma tragédia diária que não estampa os jornais diariamente. Não choca. É silenciada pela indiferença de todos nós"

Era uma vez um menino que se chamava Jackson. Ele tinha 15 anos e era de Itacaré. Em busca de melhores oportunidades, foi para Ilhéus estudar, fazer curso de turismo. Era filho de Antonio, mais conhecido como o Tonny Black da barbearia. Aprendeu o ofício do pai ainda com 12 anos. Desde cedo queira ajudar. Queria batalhar pelo seu futuro.

Em Ilhéus, Jackson trabalhava de manhã e estudava durante a tarde. Normalmente, ficava lá de 2ª a 6ª e voltava para casa nos fins de semana para estar com a família e a namorada. Se orgulhava de já ganhar algum trocado com seu próprio suor. Mesmo quando estava em Itacaré visitando a família, Jackson ainda assim ajudava na barbearia do pai. Um menino batalhador.
Em um domingo de junho, por volta de meio dia, Jackson deixou a barbearia do pai. Ia almoçar com a namorada. Mas nunca chegou lá, e nunca voltou pra casa.
A namorada e a família estranharam, afinal ele não sumia assim sem avisar. Era festa de São João em Itacaré e a família resolveu procurar pela cidade. Mas nada de Jackson.
Na segunda feira bem cedo pela manhã, a família foi à delegacia para registrar o desaparecimento de Jackson. O pai, Tonny, que também trabalha como socorrista dirigindo uma ambulância, e a mãe, Graça, que é merendeira, já tinham certeza que algo havia acontecido com o filho. Ele era um rapaz atencioso e nunca sumira assim.
Mas a polícia não quis fazer o registro. Disse que só registraria o desaparecimento após 72 horas. A família começou então sua saga em busca de Jackson. Foram em diversos bairros, perguntaram pelo rapaz, receberam algumas respostas vagas de que ele havia sido visto aqui e acolá. Ouviram o relato de uma pessoa que o teria visto perto de uma área conhecida por ser um cemitério clandestino, área de desova de corpo.
Na segunda feira à noite, conseguiram falar com o delegado que prometeu iniciar as buscas no dia seguinte pela manhã bem cedo. E, sendo assim, no dia seguinte pela manhã, Tonny, amigos e familiares estavam no lugar combinado aguardando a polícia para as buscas. Mas a polícia não apareceu.
A polícia não quis registrar o desaparecimento de Jackson e nem procurar o rapaz. O Estado não fez o seu papel. E já que o Estado não fez o que devia, coube à família e aos amigos procurar por Jackson.
Começaram as buscas nesta área já conhecida como um cemitério clandestino. Não demorou muito e encontraram uma área de terra revirada, alguns fios soltos e dois cabos de ferramentas. Começaram a cavar. E encontraram Jackson.
Jackson estava enterrado de cabeça para baixo. Foi assim que seu pai, sua família e amigos o encontraram. Enterrado em um cemitério clandestino de cabeça para baixo.
Eu conheci pessoalmente o pai de Jackson, Tonny, quando estive em Salvador há duas semanas. Ele tem um rosto de menino e um semblante sereno. Mas não há serenidade que esconda a dor – infinita e indizível – de perder um filho assim, brutalmente assassinado, e de encontrar o filho enterrado.
Me desculpei com Tonny por estar perguntando detalhes do caso, fazendo-o reviver esta história tão dura. Mas ele me disse:
“Se eu tiver que repetir isso um milhão de vezes, eu vou repetir. Porque isso não é nem um milésimo da dor que o meu filho sentiu.”
Encontrar o filho morto deu início a uma nova saga: a busca por justiça. Tonny quer saber quem matou seu filho, como e por que. Por que, afinal, um menino como Jackson, que estudava, trabalhava, tinha um futuro inteirinho pela frente, teve sua vida interrompida desta forma? Quem roubou o futuro de Jackson?
Mas Jackson não é apenas um menino. Este não é um caso isolado.
Uma pesquisa do IPEA sobre homicídio de jovens no Brasil mostra que, a cada ano, uma proporção maior de jovens – cada vez mais jovens – morre no Brasil. E a Bahia é o Estado com o quarto maior índice de homicídio de jovens (entre 14 e 29). Dados do Mapa da Violência e do Observatório de Favelas mostram que dos jovens mortos, cerca de 75% são negros e mais de 90% são do sexo masculino.
Todo ano, milhares de jovens negros são assassinados no Brasil. Mas isso não é uma estatística. Isso é ser humano. Então, todo ano, enterramos milhares de jovens negros, assim como Tonny enterrou seu filho. Mas estas mortes parecem invisíveis. Uma tragédia diária que não estampa os jornais diariamente. Não choca. É silenciada pela indiferença de todos nós.
Foi impossível ouvir o relato de Tonny e não me envolver. Ele disse que repetiria esta história um milhão de vezes se isso for ajudar na busca por justiça pela morte de seu filho. E é por isso que eu conto esta história aqui. Para que vocês leiam e contem também, para outras pessoas. Se formos um milhão de pessoas contando esta história junto com Tonny, quem sabe o Estado não cumpre seu papel de investigar essas mortes, de levar os casos à justiça, trazer paz para essas famílias? E se um milhão de vezes não for suficiente, contaremos esta história de novo, e de novo, até que seja.
Então, vamos lá, façam sua parte, contem esta história também: Era uma vez um menino que se chamava Jackson.  

perfil Renata Neder - blog da Ruth (Foto: ÉPOCA)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Doutrinador de Luciano Cunha


Conheçam o Doutrinador. Um trabalho genial e oportuno de Luciano Cunha.

http://www.odoutrinador.com.br/


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Super-heróis patrocinados e derrotados pelo Capitalismo

O designer italiano Roberto Vergati Santos realizou um interessante e engraçado trabalho artístico e filosófico ao transformar os uniformes dos super-heróis estadunidenses em verdadeiras peças de propaganda de marcas famosas.

As imagens manipuladas (cenas de filmes e ilustrações de comics) além de muito bem feitas podem nos levar à reflexões acerca da aparente e muitas vezes irritante falta de limites das corporações comerciais. 


E agora, quem poderá nos defender?



Batman ostentando no peito o símbolo de onipresente marca de tênis! Nem Alan Moore poderia imaginar tamanha Piada Mortal.






    Bombardear países árabes? Amo muito tudo isso.



Pense rápido! Quem patrocinaria o herói que sofre de ejaculação precoce? Exatamente. Nada mais natural que o Flash se tornar garoto propaganda de energéticos.



Capitão Coca-Cola acabou não destoando muito do sentido original do referido personagem. 




Melhor que o fator de cura é o instinto aguçado para os negócios.



Teria Steve Rogers sofrido os malefícios de uma péssima alimentação baseada em fast-foods?



Surfista Prateado surfando na Web com sua prancha apple e arauto de um Galactus patrocinado por Bill Gates. Abrindo janelas para novos mundos. 



Melhor que essa montagem só o trocadilho com o título original do filme. Man of Style! Destruindo Metrópolis com estilo. 

Toda forma de arte genuína nos faz refletir sobre o mundo. Reflitam.

fonte: http://www.123inspiration.com/sponsored-heroes-what-if-superheroes-were-sponsored/

Fuga da Sociedade Contemporânea


O texto a seguir foi escrito por Luciane Evans

Na contramão da sociedade contemporânea, homens e mulheres optam por uma vida mais simples. Eles garantem que são mais felizes. Conheça as histórias

Você pode ter passado a vida inteira, ou parte dela, ouvindo a expressão: tempo é dinheiro. Conhecido de perto um universo em que ter do “bom e do melhor” é sinônimo de uma vida sossegada. Também deve ter escutado, e acreditado, que comprar roupas, sapatos e supérfluos alivia o estresse, principalmente, das mulheres durante a tensão pré-menstrual (TPM). Que shopping é e será um dos melhores lazeres desta vida moderna. 
Agora, suponha que tudo isso virasse de cabeça para baixo. Em nome da simplicidade do ser, homens e mulheres, de idades diferentes, chacoalharam esses velhos conceitos cada vez mais impostos à sociedade e optaram, sem culpa e com leveza, por uma vida simples. Acreditam que precisam de pouco para se satisfazer e asseguram que o lucro com tudo isso não se vende nem se troca, e tem nome: felicidade.
Não se trata de um movimento, mas um fenômeno sem causa única e nenhuma regra. Essas pessoas estão, aos poucos, caminhando por conta própria em busca da simplicidade, sem fazer publicidade disso. Alguns mudaram de cidade, outros conseguiram isso morando em uma capital como Belo Horizonte. E não estão sós. 
A tal simplicidade já chama a atenção do mundo, já que grandes homens, que poderiam esbanjar mordomias, disseram “não” a elas e a tudo que elas remetem. O ex-guerrilheiro José Mujica, atual presidente do Uruguai, por exemplo, mora em uma casa deteriorada na periferia de Montevidéu, sem empregado nenhum. Seu aparato de segurança: dois policiais à paisana estacionados em uma rua de terra.
(...)

BONS EXEMPLOS

Mas não é preciso ir a Roma ou ao Uruguai para conhecer pessoas que apostam nesse modo de vida. O Bem Viver conheceu bons exemplos dessa vida simples. São guerreiros que nadam contra a maré em uma sociedade que, cada vez mais, valoriza o supérfluo como a garantia para ser feliz. “Hoje, o que predomina é o consumismo mais exacerbado, mas se há grupos buscando essa simplicidade é um sintoma de que essa exaustão das buscas frenéticas acaba não levando a lugar nenhum”, comenta o psicólogo, psicanalista e doutor em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Roberto Drawin.
homens mulheres vidas simples
Advogada Débora Paglioni, de 23 anos, acredita que ser simples é uma postura que tem a ver com bem-estar e consciência (Foto: Estado de Minas)


Certos de que há muito mais quando se tem menos, os entrevistados para esta reportagem servem como verdadeiras lições de vida. Maria Madalena Aguiar, de 66 anos, diz ser “feliz demais” em levar uma vida baseada na simplicidade e acredita, por exemplo, que está mais perto de Deus. Já Guilherme Moreira da Silva, de 56, mora em um sítio em Macacos, na Grande BH, e garante que “ser simples” traz a ele conforto, alegria, prazer e felicidade. A mesma sensação tem Priscila Maria Caliziorne Cruz, de 23, que ao optar por esse estilo de vida diz ter ampliado sua consciência, ficando mais inteira e presente na vida. “A simplicidade nos obriga a olhar para nós mesmos”, comenta o frei Jonas Nogueira da Costa, que desde menino se encantou pela vida de São Francisco de Assis e adotou a espiritualidade franciscana. Para a advogada Débora Paglioni, de 23 anos, ser simples vai muito além de ter dinheiro. “Tem a ver com bem-estar e consciência”, afirma.

SOMENTE O NECESSÁRIO

Carro, só ser for para locomoção. Telefone é para se comunicar, não precisa de touch screen nem aplicativos mirabolantes. Roupas ou sapatos novos somente quando forem de extrema necessidade, afinal, para quê mais? Comer bem não é ir a restaurante refinado, mas aquilo que é feito em casa. Ter uma vida simples passa por muitas dessas posturas, que não são regras.
Mas quem decide viver com o que é necessário nega o que hoje é tão valorizado, como a corrida disparada pelos melhores celulares, casa, carros e as mais belas joias. E acaba consciente de que o tempo e a energia investidos para a aquisição de coisas podem minguar as oportunidades de conviver com o outro, de buscar a espiritualidade, autoconhecimento e senso de comunidade. É como se essas pessoas se abrissem mais para o mundo ao seu redor e dissessem: “Desapeguei”. Talvez por isso, elas são serenas, sorridentes e leves, vivendo somente com o necessário, aquilo que para elas é essencial.
Esse desapego e vontade de viver somente com o que precisa não é algo que a humanidade conheceu hoje. O psicólogo, psicanalista e doutor em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Roberto Drawin destaca que esse comportamento é antigo e vem desde antes do cristianismo. “Vem de uma sabedoria grega. Não é só no sentido de não ter bens materiais, mas não transformá-los em uma tirania.” Ele conta que existia uma corrente da filosofia grega, o chamado estoicismo, que mostrava que o homem só atinge a felicidade se ele for livre, ao se livrar das dependências dos bens materiais. “Isso foi seguido tanto por um escravo quanto pelo imperador.”
(...)
Nascido e criado em Belo Horizonte, há 30 anos Guilherme se mudou para São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, na Grande BH. Formado em arquitetura e especializado em paisagismo, ele morou na Espanha por um ano. Mas foi em Macacos, em um sítio em meio à natureza, que se encontrou. Por 15 anos, morou ali sem energia elétrica. Ele diz até hoje não comprar roupas e só usar aquelas que seus irmãos lhe dão. “Não atribuo grandes valores ao materialismo. Tenho uma caminhonete porque preciso dela para trabalhar.”
Guilherme hoje mexe com produtos naturais, vende pães integrais e come tudo o que planta. Onde mora não há internet. “A minha bronquite que me incomodava muito. Queria uma vida saudável. Esse modelo que adotei tem raízes profundas em querer sobreviver e gostar da vida. Chegou o momento em que o mais importante era a qualidade do ar que respirava , o contato com a terra e a comida que comia.”
Em uma casa de alvenaria sem luxos nem precariedade, Guilherme tem uma televisão, que de vez em quando é ligada. “A vida pode ser muito mais simples. A busca por ter tudo, trocar o velho pelo novo, traz desconforto. A sociedade nunca está satisfeita.” Para ele, a vida no campo traz essa simplicidade, alegria, conforto e prazer.

ESFORÇO

Professor do curso de ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas), Ricardo Ferreira Ribeiro diz que hoje as pessoas fazem um esforço danado para ter renda e, por outro lado, geram um estresse, acúmulo de trabalho e problemas de saúde. “A opção pela vida simples tem sido mais singela, há menos requinte, mas exige menos esforços.” Ele lembra que os hippies chegaram a optar por esse modo de vida, como crítica ao consumismo. “Esse modo de viver aproxima mais as pessoas, cria-se uma empatia.”
Para o frei Jonas Nogueira da Costa, de 37, viver com pouco se aprende ao estar perto daqueles que têm poucas condições financeiras. De família simples e católica, ele sempre participou das atividades da igreja de Três Rios, sua cidade natal, no interior do Rio de Janeiro, o que despertou sua vontade de ser padre. Em 1995, entrou para a Ordem dos Frades Menores, motivado pelo exemplo de São Francisco de Assis, que dedicou a vida à simplicidade e aos pobres. “A proposta de simplicidade, de viver como irmão e ter uma vida de oração são pilares que me encantaram”, diz. A simplicidade para Jonas é entendida como partilha. “Você não pode chegar a Deus com títulos acadêmicos, roupas e outros. Deus é simples.”
O frei conta que a principal mudança que sentiu na sua opção devida foi no conceito de posse. “As coisas que eram da minha família pertenciam a eles e a mim. Hoje, tenho o conceito do nosso.” Suas posses, segundo ele, são os livros. Não se importa com roupas e compra só o necessário. “A simplicidade tem o campo prático e político. No primeiro, é o contato com as pessoas mais simples e afetos com as plantas e animais. No segundo, é a denúncia do consumismo que gera frustrações.”
Ele ensina que a vida simples permite o contato consigo mesmo. “Nos obriga a olhar para nós mesmos e ao nos depararmos com o ser humano que somos nos libertamos das grandes tentações do consumismo.” O grande ganho para o frei é a felicidade como comunhão, prazer nas pequenas coisas , estar bem consigo mesmo. “Temos que fazer o que gostamos. A minha opção me faz bem, humano e feliz.”
Para o frei, quem segue a vida baseada na simplicidade, independentemente da religião, tem que aprender a escutar os pobres materialmente e socialmente. “Eles são os nossos mestres. Há muita coisa que dissemos que são fundamentais para nós, e vemos que outras pessoas conseguem viver sem aquilo. Às vezes temos tudo e não abrimos mão de nada, e esse pobre consegue sorrir e falar de Deus. Por trás disso, há uma sabedoria. Não há uma receita pronta para essa vida simples. Cada um tem que fazer a própria síntese”, aconselha.

Estilo de vidas

Existe um movimento chamado simplicidade voluntária, que é um estilo de vida no qual os indivíduos conscientemente escolhem minimizar a preocupação com o “quanto mais melhor”, em termos de riqueza e consumo. Seus adeptos escolhem uma vida simples por diferentes razões, que podem estar ligadas a espiritualidade, saúde, qualidade de vida e do tempo passado com família e amigos, redução do estresse, preservação do meio ambiente, justiça social ou anticonsumismo. Algumas pessoas agem conscientemente para reduzir as suas necessidades de comprar serviços e bens, e, por extensão, reduzir também a necessidade de vender o seu tempo. Alguns usarão as horas a mais para ajudar os seus familiares ou a sociedade, ou sendo voluntário em alguma atividade.

Compra consciente

Mudar os hábitos de consumo e só adquirir produtos de que realmente precisa é uma opção de vida de quem busca ser mais saudável
Não é preciso sair da capital ou se dedicar integralmente ao sacerdócio para ter uma vida simples. Essa opção de vida, apesar de a luta ser ainda maior, é bem possível na cidade grande, mesmo com as tentações do consumo e seus exageros bem próximos. A simplicidade, muitas vezes, está na essência da alma e em atitudes conscientes, e não é preciso radicalismo para chegar até ela. O professor do curso de ciências sociais da Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas) Ricardo Ferreira Ribeiro diz que essa opção de vida pode ser uma certa crítica aos valores ligados à ostentação e ao padrão de vida de pessoas que não conseguem abrir mão dos bens materiais. “A gente acaba consumindo muitas coisas, para quê? Qual a finalidade desse bem que se adquire?”, provoca.
Foram essas as perguntas que motivaram a psicóloga Marina Paula Silva Viana, de 28 anos, a enfrentar um desafio: um ano sem compras. De junho de 2011 até junho de 2012, ela não comprou nada de supérfluo e criou um blog na internet relatando sua experiência durante esse período. A página levou o nome do desafio, Um Ano sem Compras. Mineira de Belo Horizonte, a jovem mora desde 2008 em Curitiba e achava que a proposta seria difícil. “O mais complicado é conter o primeiro impulso. Mas vi que isso é bem possível.” O dinheiro que usava para comprar roupas, bolsas, calçados e cosméticos foi gasto em lazer. “Sempre gostei dessa opção de vida, e queria fazer essa experiência. Você percebe que tem outras prioridades na vida. Passei a fazer mais programas ao ar livre, a aproveitar atividades intelectualizadas. Quando estamos imersos no consumo, deixamos o que nos dá prazer em segundo plano. Passada essa experiência, hoje compro bem menos e me foquei no que é essencial para mim.”
Como psicóloga, Marina conta que muitos pacientes trazem para o consultório frustrações vindas do consumo. “As pessoas estão consumindo mais. E isso acaba tendo uma função psicológica. Ela acabam acreditando que a personalidade está ligada ao que consomem.” Formada em teatro, produtora do curso de educação gaia em BH e estudante de letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Priscila Maria Caliziorne Cruz, de 23, diz que a vida simples vem dos pilares que recebeu em casa e das suas buscas e anseios. “São escolhas diárias. Encontrei em BH, no meio urbano, uma alternativa mais simples para viver.”
Ela conta que o segredo dessa opção está na consciência do que se busca. “Sabemos que ter um telefone é importante para atender a necessidade. Mas nem sempre essa necessidade por um produto acompanha moda e o que está no mercado.” Há 10 anos, a jovem não entra em shopping, pois, segundo ela, é um ambiente que a incomoda, principalmente pelo objetivo daqueles que estão ali e os tipos de relações estabelecidas. “Participo de um encontro anual de trocas de roupas. Para a minha alimentação, participo de redes de agricultura urbana, que são alimentos produzidos na cidade. Compramos diretamente dos produtores, sai mais barato e não acumula tanto valores.”
A maior preocupação de Priscila é com o meio ambiente. Ela procura ter atitudes sustentáveis, como reciclagem de lixo, usar carona ou transporte público. “Essa opção de vida me faz sentir em harmonia comigo mesma. Quando fiz essa escolha, é como se tivesse responsabilidade com as pessoas ao meu redor.” Ela diz que o encontro com esse modo de vida foi motivado por uma busca de vida saudável, da saúde do corpo e da mente . “Nunca fiz escolhas motivada pelo financeiro.”

BENS MATERIAIS

Por mais que as quatro filhas insistam, Maria Madalena Aguiar, de 66 anos, fica bons anos sem comprar roupas. Prefere consertar as que tem e não se importa com a idade delas. Um vestido e um tamanco já estão de bom tamanho. Mesmo morando na capital, a essência, adquirida na infância, na roça e durante os três anos que morou em um convento em São Paulo, ela mantém intacta e com orgulho. Diz já ter conhecido muitas pessoas que ostentam bens materiais. “É de dar dó”, comenta.
Certo dia, uma de suas filhas a chamou para sair. Ela logo pegou a bolsa de pano e disse estar pronta para acompanhá-la. A filha sugeriu que mudasse de roupa. “Você quer o que visto ou a minha companhia?”, respondeu Madalena. Apaixonada pelas poesias que cria, ela conta que prefere andar de ônibus ou a pé a ir de carro. “Temos pernas é para andar.” Compras com ela, só o essencial. O seu lazer é mexer na terra, com as plantas e aprender com elas. “A vida simples é uma sabedoria”, avisa. Para ela, ajudar o outro a ter um coração bom são as grandes riquezas do ser humano.
Madalena conta a lenda que lhe serve de inspiração. “Uma vez, um turista viajou para conhecer um grande sábio. Quando chegou, disse a ele que queria conhecer seus móveis. O sábio, muito tranquilo, mostrou que só tinha uma cama e uma cadeira e o convidou a entrar. O homem não aceitou, disse estar só de passagem. O sábio respondeu: ‘Eu também’.” Para essa senhora, a história aponta o que devemos pensar antes dos bens materiais serem nossos donos. “Caixão não tem gaveta. Estamos aqui só de passagem.” (LE)

Viver com o essencial

Este mês, o New York Times publicou um artigo sobre a vida de Graham Hill, que vive em um estúdio de 420 pés. Ele tem seis camisas, 10 tigelas rasas que usa para saladas e pratos principais. Não tem um único CD ou DVD. Era rico, tinha uma casa gigantesca e cheia de coisas – eletrônicos , carros e eletrodomésticos. “De uma certa forma, essas coisas acabaram me consumindo”, disse na entrevista. Em 1998, em Seattle, vendeu sua empresa de consultoria de internet, Sitewerks, por muito dinheiro e passou a comprar muito. Entre as compras, um Volvo preto turbinado. Mas tudo isso passou a incomodá-lo e a ficar sem graça. E ele decidiu viver somente com o essencial.
Luciane Evans, Estado de Minas

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