JollyRoger 80´s para as Massas

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domingo, 10 de junho de 2012

Sexualização hiper precoce de crianças e adolescentes no Brasil






Prestem atenção na capa do disco ''Carnaval dos Baixinhos" da apresentadora educadora Rainha dos baixinhos e altinhos Xuxa.

Vemos um disco destinado ao público infantil onde um bebê é fotografado de costas usando um fio dental. Talvez se esse disco fosse lançado hoje o Ministério Público fosse acionado. Talvez! E por se tratar de um bebê.

A sociedade mudou e algumas muitas pessoas não percebem ou tem dificuldade de assimilar.






Acredito que impor categorias delimitadas para o momento que alguém deve perder a virgindade é de certo modo, surreal. Existem uma série de contextos sócio culturais e econômicos que devem ser levados em consideração.


Defendo a punição para todos os tipos de casos de abuso. E torno públicas as palavras de uma colega: "Não podemos esquecer disso. Abuso sexual, psicológico, estupro. Isso que falamos. E isso nada tem a ver com idade, eu com 28 anos posso sofrer isso. Por isso, temos que punir severamente casos de pedofilia e de estupro, porque os que as une é o fato da pessoa não ter direito a escolher ter a relação."

Assino embaixo. E isso nem se questiona. O que questiono é a hipocrisia relacionado ao aspecto de incentivo geral à sexualização e a paradoxal vigilância moral em relação a isso. Vivemos na era da informação rápida. As pessoas têm ''amadurecido'' mais cedo e aliado ao fator natural, o sexo irrompe mais precocemente.


Na Indústria cultural brasileira crianças e adolescentes são retratadas de maneira sensual. 







E mulheres adultas são infantilizadas em ensaios de nudez.





O imaginário do "consumidor" de mulheres tanto do sexo masculino como feminino é alimentado. Ou seja, desejos internos de homens e mulheres são intencionalmente provocados e incentivados. Por outro lado, são também moralmente combatidos. É uma surreal gincana, mas que nunca justifica uma agressão sexual, por exemplo.

Vale ressaltar que em sociedades ocidentais capitalistas como a brasileira, a eterna juventude e beleza são padrões comportamentais idealizados. 


O funk como movimento é legitimado e enaltecido por acadêmicos,  lideranças políticas e sociedade como um todo, mas nos bailes as chamadas novinhas são carne fresca para o abate


Desde os anos 1980 e principalmente nos anos de 1990, os ídolos televisivos e modelos de sucesso são homens e mulheres cujo trabalho é pautado apenas por altas doses de sensualidade, vulgarização sexual e imbecilização. Ícones da bundalização são tratados como pensadoras contemporâneas ou se tornam conselheiros de Ministros da Educação. São fortes símbolos culturais do país, infelizmente. 


O que se observa é que o tipo de música, dança e atitude que geralmente eram apresentadas em casas noturnas hoje é entretenimento apresentado em horário nobre na televisão, pelas divas pop ou rappers. Nesse caso em escala planetária.





No vídeo acima o apresentador mais famoso do Brasil promove uma verdadeira aula de sexualização infantil. Crianças ainda ingênuas são expostas em rede nacional por um bando de cretinos irresponsáveis. 



Estilos musicais atualmente meio fora de moda como o axé baiano sempre apresentaram a sexualidade das músicas e coreografias como principal atrativo. Não se pretende ser moralista e não está sendo discutido a mediocridade artística dessas manifestações culturais, mas uma rápida busca no YOUTUBE podemos encontrar crianças dançando na boquinha da garrafa em programas dominicais. Deplorável.




Assistimos violência e sexo todos os dias nos programas de emissoras de TV Então, em certo sentido, a hiper sexualização acaba por ser incentivada, organizada comercialmente e propagada ideologicamente.

Esperamos que mudanças sociais, políticas e culturais ocorram e que as crianças e adolescentes, muitas em situação de abandono nas periferias e favelas, possam viver como modelos saudáveis de comportamento. Que a sociedade pare de se divertir com a sexualização hiper precoce de seus jovens cidadãos. E que traficantes deixem de se tornar a influência poderosa que são.

Continua.

12 comentários:

  1. "Se prenderem um, terão que prender todo mundo". Gostei dessa! E, é importante lembrar, as famílias também têm atitudes bizarras. Eu tive uma aluna de 14 anos que namorava com um cara adulto, paraquedista do Exército, que já tinha feito 4 (quatro!) abortos, com consentimento da família...

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  2. A infância é um conceito que foi socialmente criado. E assim como tantos outros conceitos ele está passando por transformações.

    Realmente uma família que permite que uma menina de 14 anos já tenha realizado 4 abortos está precisando de no mínimo muita orientação.

    Mas isso é apenas mais um exemplo de um padrão comportamental de centenas de milhares de famílias brasileiras.

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  3. Nunca comento... Sei disso...
    Mas é porque sempre me fogem as palavras aqui. É sempre tão claro e bem exposto o que tu escreves. E geralmente coincide com muitos pensamentos meus.
    Esse assunto, de modo particular, me deixa triste. Eu tenho lembranças tão lindas da minha infância. Queria, de coração, que as crianças que ainda virão tivessem um pouco da magia e inocência que as crianças de antes tiveram...

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  4. Obrigado por seu comentário e elogios Shuzy. Fico muito satisfeito de saber que gosta dos textos.
    Realmente é triste constatar que a infância de hoje está sendo destruída no que ela tem de melhor.

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  5. Postando aqui o comentário de Luciana Operti:

    "As sociedades, não só a brasileira, são O paradoxo; as regras acabam por representar alguma proteção a medos coletivos que por sua vez representam justamente o que os indíviduos trazem de forma latente ou explictamente o são. E o que os indivíduos trazem ou são vêm à tona tão intensamente quanto as citadas regras permitem. Todas as sociedades, orientais ou ocidentais, em maior ou menor grau, se movimentam deste modo. É a engrenagem humana, mesmo, contraditória, hipócrita e ineficaz não só neste como na maioria dos âmbitos. (...)

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  6. Continuando: "Tanto menos será quanto mais os indivíduos se reconhecerem como um grupo culturalmente e socialmente organizado e, nesse caso, concordo com o Roger.. o Brasil.. bem.. Quanto às subliminaridades dos programas da Xuxa, publicitários estão aí e são muito bem pagos para isso mesmo: trazerem a sordidez e a sexualidade humanas, produtos de consumo inquestionável e muitas vezes incontrolável, embrulhadinhas no papelzinho de presente mais assimilável e adequado ao público a que se destina, seja ele qual for, tendo ou não este público consciência que as estão consumindo. Alegremente. (...)

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  7. Lu Operti: "Como a informação se propaga cada vez mais nítida, atraente, detalhada e rapidamente, vamos nos tornando cada vez mais hipocritamente sexualizados. E tome de programinhas de todo tipo usando esse filão. E para mexer nisso aí nos deparamos, também, com outra questãozinha bem atual e também pródiga em hipocrisia, manipulação e poder, o que complica muito qualquer ação: censura x liberdade de expressão, o que é outra história...

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  8. "No aspecto jurídico da pedofilia - conceito escorregadio e impreciso em seus contornos humanos como qualquer outro conceito moral forjado como socialmente exemplar - embora eu concorde 100% com a citação "Não podemos esquecer disso. Abuso sexual, psicológico, estupro. Isso que falamos. E isso nada tem a ver com idade, eu com 28 anos posso sofrer isso. Por isso, temos que punir severamente casos de "pedofilia" e de estupro, porque os que as une é o fato da pessoa não ter direito a escolher ter a relação.", acho que a punição/especificação da violência sexual ao menor, mesmo dentro deste contexto social confuso e degradante, repleto de estímulos permitidos que incorporam naturalmente o proibido, ainda é muito necessária. Até os 12 anos. Depois disso que se prove o estupro. ehehe!"

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  9. Cara, bem polêmico o assunto. Na verdade eu acho que isso vai da ética de cada um, da linha tênue entre casos e casos. Cada situação é uma situação e não deve ser tratada de forma geral, não existe um modelo a ser seguido e as pessoas não são "encaixáveis". Isso é uma discussão ética e exatamente por isso não dá para colocar tudo no mesmo saco e falar "ou é isso ou é aquilo, se tem que prender um vai ter que prender todo mundo". Realmente eu achei o texto muito bom e me fez pensar bastante, e é uma discussão ética na qual eu não consigo dar uma opinião global porque vejo cada caso como um caso, então deveria ser estudado um a um.

    grande beijo guri
    ;**

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    1. Concordo com você Gabi. Quando eu afirmei que se tiver que prender um vão ter que prender todo mundo, foi mais tecendo uma crítica de justamente a sociedade e os poderes instituídos não analisarem os diferentes aspectos de cada situação. Realmente em certo sentido não existe um modelo único a ser seguido. O que é curioso é que atitudes que podemos entender como exploração sexual originados pelos meios de comunicação e glorificados por personalidades da televisão sejam tratados de uma maneira enquanto outros casos, são de outra completamente diferente. Quando tudo é a mesma coisa.

      Se alguém gravar crianças dançando funk e postar no you tube provavelmente pode ser preso, mas se for o Silvio Santos, a Regina Casé fazendo isso em um programa no sábado de tarde, não tem problema! É entretenimento.

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  10. Estava a desenvolver um estudo em relação a esse mesmo tema, fico muito satisfeita de ver essa tua postagem. Meus parabéns pela clareza e lucidez.
    Saudações.

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    1. Agradeço a visita e sua leitura. Realmente é um tema a ser estudado. Compartilhe suas ideias!

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