JollyRoger 80´s para as Massas

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Immanuel Kant "Que é Esclarecimento?" (Aufklärung)


               O Homem é o culpado de sua menoridade.


Kant é taxativo nessa afirmação. A sua menoridade consiste em sua incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O Esclarecimento (Aufklärung) é a única saída para essa menoridade, cuja causa está na falta de coragem e decisão do homem de servir-se a si mesmo sem obviamente, a direção de outros.

O lema do esclarecimento é usufruir-se de seu próprio entendimento das coisas. Mesmo libertados pela natureza de um estranho destino permanecem menores devido à preguiça e a covardia. Estas mesmas causas são as que fazem com que os homens se submetam à tutores. Kant numa frase, no mínimo incômoda, salienta que é muito cômodo ser menor.






















Pensar é muito cansativo. Pra que pensar se podemos pagar? Para grande parte das pessoas é mais conveniente ter alguém que forneça o caminho das pedras, seja um médico, um conselheiro espiritual ou um professor.

Essas pessoas consideram a chegada da maioridade algo complicado. Kant ressalta um aspecto meio que tirano dos tutores ao afirmar que estes limitam e amedrontam, na medida que mostram o quanto é perigoso andar sozinho. Metaforicamente, compara as pessoas à gado domesticado, dando um peso ainda mais agressivo às suas ideias.

Esse é o processo que torna o homem incapaz de tomar maiores decisões. O perigo não é tão assombroso como foi anunciado. Tentando, o homem conseguiria após alguns e necessários tombos. Mas, não é preciso muito para que este torne-se um tímido, covarde e desista. O temor é tão grande que a ideia de tentativas futuras é inexistente.


Por tudo isso, é complicado para esse homem se desvencilhar da menoridade. Esta já se naturalizou em seu âmago. Como se separar de algo que já se tem amor incondicional? Nesse estado o homem já está impossibilitado de fazer uso de seu próprio entendimento. Não lhe foi permitido essa opção.

Os preceitos e fórmulas, instrumentos mecânicos do uso racional seriam os grilhões da menoridade imortal. Kant é pessimista ou talvez realista quando afirma que foram poucos os que conseguiram transformar seu próprio espírito, emergir da menoridade e empreender uma marcha segura.


No entanto, acha perfeitamente possível e até mesmo inevitável que, um público se esclareça se lhe for concedido essa liberdade. Porque sempre existem indivíduos detentores de pensamento próprio, mesmo tutores da grande massa. Estes poderão incentivar os outros a pensarem por si mesmos.

























"Uma Revolução poderá talvez realizar a queda do despotismo pessoal ou da opressão ávida de lucros ou de domínios, porém nunca produzirá a verdadeira reforma do modo de pensar. Apenas novos preconceitos, assim como os velhos, servirão como cintas para conduzir a grande massa destituída de pensamento".

Para o esclarecimento (Aufklärung) nada se exige além de liberdade. E o uso da Razão em toda e qualquer questão é a mais inofensiva forma de liberdade. Kant se espanta ao constatar que por toda parte há a limitação da liberdade de pensamento e pergunta: "Que limitação, porém, impede o esclarecimento?" e "Qual não o impede e ate mesmo o favorece?"


O uso público, ele responde, de sua razão deve ser sempre livre e somente ele pode realizar seu esclarecimento entre os homens. Já o uso privado, pode vir a ser muitas vezes limitado, mas não impossibilita o progresso do Aufklärung. 

Afirma que entende por uso público, como sendo aquele que um homem sábio faz uso perante um grande público de letrados. E por uso privado aquele que o sábio faz de sua razão em algum cargo público ou em qualquer outra função que lhe fora confiada.

No entanto, em se tratando de certas profissões exercidas no pleno interesse da comunidade, Kant afirma que seria necessário um certo tipo de mecanismo que fizesse com que muitos membros desta se mantivessem num estado de passividade, para serem conduzidos pelo Governo em prol de finalidades públicas.






























Nesses casos não seria permitido raciocinar, somente obedecer. O sistema não funcionaria se tudo fosse questionado há todo momento. Por exemplo, se um oficial se pusesse a refletir sobre a validade de uma ordem recém chegada de seu superior.

Ele antes de mais nada precisa obedecer. E isso não o impede de se questionar a respeito dos erros do serviço militar ou até mesmo de expor suas conclusões ao público.

Dentre outros exemplos possíveis, fala do cidadão que não deve recusar pagar seus impostos, mas que pode expor seu descontentamento com essas obrigações. E também o Sacerdote, que se encontra obrigado a fazer sermão para os discípulos de total acordo com o credo de sua Igreja.

E mesmo ele tem o direito enquanto sábio de expor suas teorias, seus desacordos, com o intuito de melhorar a instituição. Porque o que ele prega não pode estar em desacordo com o que a Igreja acredita.

O Sacerdote não é livre para ensinar da maneira que achar melhor. Já um professor empregado, na medida em que, ocupa um cargo público, faz da sua razão um uso privado.


A natureza humana, para kant, se inclina sempre para o avanço. "Uma época não pode se aliar e conjurar para colocar a seguinte em um estado em que se torne impossível para esta ampliar seus conhecimentos (particularmente os mais imediatos), purificar-se dos erros e avançar mais no caminho do esclarecimento (Aufklärung)".



* Parte integrante do trabalho " Immanuel Kant ‘’ Que é Esclarecimento?’’ (Aufklärung)" apresentado na disciplina – Seminário Especial de História Política II. UERJ

*Imagens do filme "O Incrível Homem que encolheu" (The Incredible Shrinking Man, 1957)de Jack Arnold.

5 comentários:

  1. (Pensar é muito cansativo. Pra que pensar se podemos pagar?)Interessante!
    Criticando, me esclareço. Quando não questionamos algo do que se passa em nosso cotidiano, e também não buscamos informação, nos tornamos “alien´s” (Pessoas apagadas). Creio eu que nesse mundo de infinitas possibilidades, existe um “esquema” por detrás dos bastidores de toda potência, de tudo que rege uma sociedade, pra que a humanidade caminhe sobre rédeas... Entre o céu e a terra sempre a algo, a saber. É um prazer inconfundível sentir a liberdade(maturidade) de expressão e comportamento.Com ordem é claro.
    Esse texto me trás recordações de um tempo "apagado" de minha vida. Bacana

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  2. Brilhante escolha de imagens, ilustrou o texto de modo muito criativo!!!

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  3. muito bom seu blog, me ajudou bastante :))

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